Novo estudo da Linha 3 do Metrô tem traçado criticado pela prefeitura de Niterói

Segundo informações, prefeitura criticou percurso passando por Icaraí, o que é rebatido por técnicos, que estudaram fluxo de demanda e deslocamento.

Com informações do Jornal O Globo
Imagem de capa: Praia de Icaraí, bairro por onde o novo percurso passaria, segundo os últimos estudos. Fonte: Visit.Niterói

Segundo reportagem publicada pela imprensa e aqui no site Trilhos do Rio recentemente, um novo estudo técnico desenvolvido pela Coppe/UFRJ voltou a colocar em pauta a implantação da histórica Linha 3 do Metrô, projeto que prevê a conexão metroviária entre o Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí através de uma travessia subaquática sob a Baía de Guanabara. O estudo integra o projeto Prisma — Planos de Transportes Urbanos Sustentáveis e de Desenvolvimento Integrado — elaborado por pesquisadores da Coppe/UFRJ a pedido do Governo Federal. A proposta prevê uma linha com aproximadamente 50 quilômetros de extensão e 29 estações, conectando a Região Metropolitana do Rio de Janeiro por meio de um sistema de transporte de alta capacidade sobre trilhos. O link da notícia publicada aqui encontra-se abaixo, caso não tenha visto, confira!

Linha 3 do Metrô tem projeto apresentado pela COPPE/UFRJ e recebe críticas positivas e negativas

De acordo com o traçado preliminar apresentado, a linha partiria da estação Carioca, no Centro do Rio, seguiria pelo Aeroporto Santos Dumont e atravessaria a Baía de Guanabara em túnel subaquático até chegar a Niterói. Na cidade de Niterói, o estudo propõe oito estações: Gragoatá (UFF), Praça do Rink, Icaraí, Santa Rosa, Noronha Torrezão, Alameda São Boaventura (Fonseca), Colégio Pedro II e Barreto. O trajeto seguiria posteriormente em direção a São Gonçalo e Itaboraí.

A proposta reacende um dos debates mais antigos da mobilidade fluminense. A Linha 3 do metrô, considerada quase uma lenda urbana, é discutida há décadas como solução estrutural para os problemas de deslocamento entre o Leste Metropolitano e a capital fluminense, especialmente diante da saturação da Ponte Rio-Niterói, da BR-101 e dos corredores rodoviários atualmente utilizados por ônibus e automóveis. Um dos pontos centrais do estudo é justamente a tentativa de reorganizar os fluxos pendulares entre as cidades da região através do transporte sobre trilhos. Atualmente, milhares de passageiros enfrentam diariamente longos tempos de deslocamento entre Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e o Rio de Janeiro, em uma das áreas metropolitanas mais populosas do país sem conexão metroviária integrada.

Apesar da repercussão positiva entre parte dos especialistas e comerciantes locais, o traçado apresentado também gerou questionamentos por parte da Prefeitura de Niterói. Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura afirmou que o projeto ainda se encontra em estágio inicial e declarou não ter sido consultada oficialmente sobre a definição das estações propostas. O principal ponto de divergência envolve exatamente o trajeto dentro de Niterói. Segundo a prefeitura, o ideal seria que a linha atendesse inicialmente o Centro da cidade antes de seguir para bairros da Zona Sul, como Icaraí e Santa Rosa. No estudo apresentado pela Coppe/UFRJ, o metrô passaria primeiro por Icaraí antes de retornar ao Centro. Porém, o coordenador do estudo, professor Romulo Orrico, defendeu a proposta afirmando que o desenho considera os atuais fluxos metropolitanos de passageiros e o menor custo possível para a travessia subaquática da Baía de Guanabara. Segundo ele, a proximidade entre o Santos Dumont e Niterói reduz significativamente a complexidade técnica e financeira do túnel.

Outro aspecto importante destacado no estudo é a integração futura entre a Linha 3 e outros sistemas sobre trilhos previstos para Niterói, incluindo o projeto do VLT de Niterói. Segundo os pesquisadores, os sistemas seriam complementares e não concorrentes, permitindo distribuição de demanda e integração urbana entre diferentes regiões da cidade. A futura estação da Praça do Rink, por exemplo, é considerada estratégica justamente pela proximidade com a estação das barcas e o terminal rodoviário do Centro de Niterói. Empresários locais avaliam que o metrô poderia contribuir diretamente para a revitalização econômica da região central da cidade.

O estudo também aponta ganhos expressivos nos tempos de deslocamento. Um dos exemplos citados prevê que uma viagem entre Icaraí e o Santos Dumont poderia ser reduzida para aproximadamente 11 minutos, contra cerca de 75 minutos atualmente realizados em horários de trânsito intenso por automóvel.

Especialistas em mobilidade urbana apontam que a Linha 3 possui potencial para se tornar um dos projetos ferroviários metropolitanos mais importantes do país, sobretudo pela capacidade de reorganizar a lógica de deslocamentos da Região Leste Fluminense e reduzir a forte dependência do transporte rodoviário atualmente existente. Ao mesmo tempo, o histórico de promessas não concretizadas em torno da Linha 3 faz com que parte da população mantenha cautela diante do novo estudo. O projeto já apareceu em muitas e diferentes versões ao longo das últimas décadas sem efetivamente sair do papel.

Ainda assim, a retomada dos estudos técnicos em âmbito federal é vista por setores ligados à mobilidade sobre trilhos como um passo importante para recolocar o debate ferroviário metropolitano no centro das discussões sobre infraestrutura urbana do estado do Rio de Janeiro.

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