Após queixas de moradores e especialistas sobre paralisação no processo, sistemas de bondes tem iniciada a etapa de testes tripulados
Com informações da SETRAM
Imagem de capa: Divulgação SETRAM
O Governo do Estado do Rio de Janeiro retomou oficialmente nesta quinta-feira (11/06) a circulação de passageiros no tradicional Ramal Silvestre dos Bondes de Santa Teresa, marcando mais um passo no processo de recuperação de um dos sistemas ferroviários urbanos mais emblemáticos do país. O trecho estava desativado havia mais de duas décadas e retorna à operação justamente no período em que o sistema se aproxima de completar 130 anos de funcionamento, em setembro deste ano.
As intervenções realizadas incluíram ampla revitalização da infraestrutura ferroviária, com renovação da via permanente, recuperação da rede aérea de alimentação elétrica, requalificação do pavimento urbano e modernização de sistemas operacionais. Segundo o governo estadual, o objetivo é recuperar integralmente o trajeto histórico do ramal, ao mesmo tempo em que se ampliam os padrões de segurança, confiabilidade e integração turística do sistema.
A obra foi conduzida pela Secretaria Estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, por meio da Central Logística, dentro de um processo mais amplo de modernização dos bondes, que já havia possibilitado anteriormente a retomada do Ramal Paula Mattos, também desativado por mais de dez anos.
Com aproximadamente 5,84 quilômetros de extensão, o Ramal Silvestre recebeu cerca de 667 toneladas de novos trilhos, quase 28 mil metros quadrados de pavimentação renovada, implantação de drenagem pluvial e requalificação de aproximadamente seis quilômetros da rede aérea elétrica. A revitalização também prepara o sistema para uma futura integração operacional e turística com o Trem do Corcovado, fortalecendo ainda mais o potencial ferroviário e turístico da região.
A retomada do trecho representa não apenas uma recuperação patrimonial, mas também uma importante iniciativa de mobilidade urbana sobre trilhos em um dos bairros mais tradicionais da capital fluminense. Diferentemente de muitos sistemas históricos ao redor do mundo que operam apenas como atração turística isolada, os bondes de Santa Teresa mantêm uma característica rara: continuam funcionando simultaneamente como patrimônio cultural, transporte cotidiano da população local e atrativo turístico internacional.
A secretária estadual de Transportes, Priscila Sakalem, destacou que a reabertura consolida parte importante da reestruturação do sistema, embora novos desafios ainda precisem ser enfrentados, incluindo estudos de demanda e futura aquisição de novos bondes para ampliação da capacidade operacional.
Além do impacto operacional, a reativação foi recebida com forte carga emocional por moradores de Santa Teresa, muitos dos quais conviveram durante décadas com o sistema ferroviário como parte da identidade cotidiana do bairro.
A maquiadora Glória Ferreira, moradora da região, afirmou que a retomada possui significado afetivo para diferentes gerações da comunidade. Já o guia de turismo Alexandre Cassiano destacou a importância do bonde para moradores que dependem historicamente do sistema como alternativa de deslocamento dentro do bairro.
Representantes do setor turístico também comemoraram a volta do trecho histórico. Para Osmar Calixto, vice-presidente da Associação do Polo Gastronômico, Turístico e Cultural de Santa Teresa, o retorno do percurso até o Silvestre permitirá oferecer aos visitantes uma experiência diferenciada de deslocamento ferroviário em meio à Mata Atlântica e às paisagens históricas da cidade. A reativação do Ramal Silvestre também reforça o debate sobre a importância da preservação de sistemas ferroviários históricos não apenas como memória, mas como elementos efetivos de mobilidade sustentável, valorização urbana e desenvolvimento turístico.
Durante esta fase inicial de testes operacionais, os bondes circularão em horários reduzidos, às 10h, 11h, 14h e 15h. Segundo o governo estadual, a programação definitiva será ajustada gradualmente ao longo das próximas semanas conforme a avaliação operacional e a demanda observada no sistema.
